O ET de Varginha: Três Meninas, um Muro e o Mistério que o Exército Brasileiro Nunca Esqueceu

Dossiê Brasil

O ET de Varginha: Três Meninas, um Muro e o Mistério que o Exército Brasileiro Nunca Esqueceu

Na tarde de 20 de janeiro de 1996, três jovens cortavam caminho por um terreno baldio no bairro Jardim Andere, em Varginha, sul de Minas Gerais. Era uma tarde comum de verão, chuvosa e abafada. O que elas viram agachado junto a um muro naquele terreno acabaria por transformar uma cidade tranquila de 120 mil habitantes no epicentro do caso ufológico mais famoso do Brasil — e um dos mais debatidos do mundo.

As irmãs Liliane e Valquíria Fátima Silva, de 14 e 16 anos, e sua amiga Kátia Andrade Xavier, de 21, descreveram uma criatura marrom-escura, com a pele oleosa, três saliências na cabeça e olhos avermelhados de formato incomum. Estava agachada, tremendo, como se estivesse ferida ou desorientada. O cheiro que exalava era forte e desagradável — como amônia. As meninas fugiram apavoradas. Nenhuma das três, ao longo de três décadas, jamais recuou de seu relato.

O Incidente de Varginha não se resume a esse encontro. Envolve avistamentos anteriores, movimentações militares inexplicadas, rumores de uma segunda criatura capturada, e a morte precoce de um soldado que teria participado da operação. O Exército Brasileiro sempre negou tudo. O mistério permanece.

A Manhã Antes das Meninas

O avistamento das três jovens não foi o primeiro de janeiro de 1996 em Varginha. Nas horas anteriores, moradores de diferentes bairros da cidade relataram ter visto um objeto não identificado sobrevoando a região em baixa altitude, com trajetória errática. Alguns descreveram algo semelhante a um míssil ou cigarro gigante, com fumaça branca e movimento silencioso.

Segundo relatos colhidos por pesquisadores do campo, o Corpo de Bombeiros de Varginha teria sido acionado ainda pela manhã daquele dia para capturar uma "criatura estranha" em uma área próxima ao zoológico da cidade. Os bombeiros teriam conseguido imobilizar o ser e entregado às Forças Armadas. Se isso aconteceu, foi feito com discrição total — sem registro oficial, sem comunicado à imprensa, sem qualquer confirmação posterior.

O que veio em seguida, no terreno baldio do Jardim Andere, seria a segunda aparição documentada do dia.

O que as Três Meninas Descreveram

O depoimento das irmãs Silva e de Kátia Xavier é notável pela consistência. Cada uma foi entrevistada separadamente em diversas ocasiões, por jornalistas, pesquisadores e autoridades, ao longo de anos. Os detalhes centrais nunca mudaram.

A criatura media entre 1,50 m e 1,60 m de altura. Tinha cabeça relativamente grande em proporção ao corpo, com três protuberâncias que lembravam chifres ou saliências cranianas. Os olhos eram avermelhados e grandes. A pele era marrom-escura e brilhosa, como se estivesse coberta de uma substância oleosa. Não havia roupas visíveis. Os pés eram descalços e os membros pareciam desproporcionalmente compridos para o tronco. A postura era de quem estava fraco ou sofrendo.

As meninas fugiram gritando e chegaram em casa em estado de pânico. A mãe das irmãs Silva, que inicialmente não acreditou no relato, acabou por convencer-se diante da coerência e do estado emocional das filhas. O caso chegou à imprensa local dias depois e, em questão de semanas, ganhou proporções nacionais e internacionais.

O programa Fantástico, da TV Globo, foi o primeiro a dar cobertura nacional ao caso, em fevereiro de 1996. A repercussão foi imediata — o Wall Street Journal publicou uma nota sobre o incidente, e pesquisadores ufológicos de vários países passaram a monitorar os desdobramentos.

As Movimentações Militares e a Segunda Captura

A narrativa que mais alimenta a controvérsia em torno de Varginha é a de uma segunda criatura, supostamente capturada no período da noite do mesmo dia — ou nos dias seguintes — por forças militares do Exército Brasileiro e da Polícia Militar.

Moradores relataram movimentações incomuns de viaturas militares e policiais nas ruas de Varginha nos dias que se seguiram ao incidente. Funcionários do Hospital Regional de Varginha e da Escola de Sargentos das Armas (AMAN), sediada na cidade vizinha de Resende (RJ), mas com ligações regionais, teriam visto ou ouvido relatos de uma criatura sendo tratada ou mantida nas instalações.

O pesquisador Ubirajara Rodrigues e o jornalista Cláudio Tsuyoshi Suenaga foram os primeiros a investigar o caso sistematicamente, coletando depoimentos de testemunhas que não queriam ser identificadas. Segundo eles, uma segunda criatura teria sido capturada com as mãos nuas por um policial — e foi exatamente aí que o caso ganhou uma dimensão trágica.

Marco Eli Chereze: A Morte que Ninguém Explica

O cabo Marco Eli Chereze tinha 23 anos, era considerado um dos melhores policiais do serviço reservado de Varginha, e estava de serviço na noite de 20 de janeiro de 1996. Segundo relatos coletados por pesquisadores, ele foi um dos responsáveis por capturar fisicamente a segunda criatura — tendo a agarrado com as mãos nuas, sendo arranhado no processo.

Dezessete dias após a suposta captura, Chereze desenvolveu um abscesso na axila. Foi submetido a uma drenagem cirúrgica simples e, dias depois, começou a apresentar febre alta e dores generalizadas. Em 15 de fevereiro de 1996 — apenas 26 dias após o incidente — ele estava morto.

A causa oficial foi septicemia por infecção bacteriana. O laudo de necropsia foi emitido, o corpo foi sepultado três horas após a morte, sem velório. Médicos legistas que analisaram o caso posteriormente apontaram anomalias: a contagem de glóbulos brancos de Chereze era estranhamente baixa para um quadro típico de infecção bacteriana — o oposto do que se esperaria. A família nunca obteve respostas satisfatórias.

A morte de Marco Eli Chereze permanece como o ponto mais perturbador do caso de Varginha. Coincidência ou consequência? O Exército nunca reconheceu que ele tivesse qualquer envolvimento com a situação.

A Versão Oficial e a Hipótese do "Mudinho"

O Exército Brasileiro abriu dois inquéritos policiais militares, em 1996 e 1997, e em ambos concluiu não ter havido captura de extraterrestres. As movimentações de viaturas e pessoal militar foram explicadas como atividades de rotina.

A hipótese mais controversa apresentada no inquérito foi a de que as três meninas teriam confundido a criatura com um morador local conhecido como "Mudinho" — um jovem com deficiências físicas e mentais que frequentemente andava agachado pelas ruas do bairro. As jovens sempre rejeitaram categoricamente essa versão, e pesquisadores que entrevistaram "Mudinho" e compararam sua aparência física com a descrição da criatura apontaram diferenças incompatíveis.

Nenhuma das três testemunhas originais jamais mudou seu depoimento. Em 2026, por ocasião dos 30 anos do incidente, Liliane e Valquíria concederam entrevistas e reafirmaram o que viram. "Não confundimos nada com ninguém", disse Liliane ao Estado de Minas. "Eu sei o que vi."

Varginha no Cenário da Ufologia Internacional

O Incidente de Varginha é frequentemente citado em estudos comparativos de ufologia como um dos casos com maior número de testemunhas independentes relatando fenômenos físicos concretos — uma criatura visível, cheiros, efeitos sobre testemunhas, e movimentações militares documentadas indiretamente.

Pesquisadores como Jacques Vallée, cujo trabalho sobre o sistema de controle por trás dos fenômenos OVNI discutimos em Jacques Vallée e o Sistema de Controle: Estamos sendo educados por um termostato cósmico?, destacam que casos como Varginha são relevantes precisamente porque envolvem entidades físicas — não apenas luzes no céu — com impacto documentável sobre testemunhas humanas.

A questão de quem — ou o quê — foi visto naquele terreno baldio em janeiro de 1996 permanece sem resposta oficial satisfatória. O Exército Brasileiro jamais abriu seus arquivos sobre o evento. Nenhuma testemunha com acesso privilegiado à operação de captura falou publicamente com seu nome. O único soldado cujo envolvimento foi documentado indiretamente morreu três semanas depois.

A cidade de Varginha, por sua vez, abraçou o mistério. Há uma estátua do ET na entrada da cidade. Há museu, rota turística e memória viva entre os moradores. E há, sobretudo, três mulheres que viram algo que a ciência oficial ainda não conseguiu explicar — e que, três décadas depois, não têm nenhum interesse em mudar isso.

Para compreender a psicologia do que acontece com testemunhas de encontros próximos como esse, o artigo A Psicologia do Contato: Trauma real, falsa memória ou uma projeção do nosso inconsciente coletivo? traz uma análise aprofundada que ajuda a contextualizar relatos como os de Liliane, Valquíria e Kátia.


Fontes

  • Wikipedia — "Incidente de Varginha": pt.wikipedia.org
  • CNN Brasil — "ET de Varginha foi revelado em inquérito de militares": cnnbrasil.com.br
  • Estado de Minas — "ET de Varginha: 30 anos do caso que marcou a ufologia brasileira": em.com.br
  • Portal Vigília — "Marco Eli Chereze morreu após suposto contato com o ET": vigilia.com.br
  • Correio Braziliense — "Militar morreu após suposto contato com o ET de Varginha": 1news.correiobraziliense.com.br
  • Aventuras na História — "26 anos depois, ufólogo comenta caso do ET de Varginha": aventurasnahistoria.com.br
  • Ubirajara Rodrigues e Cláudio Tsuyoshi Suenaga — O Brasil e o Caso Varginha (1996), registrado pela Revista UFO Brasil