Operação Prato: Quando a Aeronáutica Caçou Luzes e "Chupa-Chupas" na Selva Amazônica
Era noite fechada na Ilha de Colares, no litoral do Pará, quando a pescadora acordou com uma luz forte atravessando o telhado de palha da sua casa. Antes que pudesse gritar, o feixe luminoso já havia tocado seu pescoço. No dia seguinte, ela chegaria ao posto de saúde local com queimaduras circulares na pele, tonturas e uma fraqueza que duraria semanas. Ela não estava sozinha. Em questão de dias, dezenas de moradores relatariam exatamente a mesma coisa. O pânico se instalou na ilha. E o Brasil estava prestes a iniciar a investigação militar de OVNIs mais documentada de toda a América do Sul.
A Operação Prato não é lenda urbana nem rumor de internet. É um capítulo oficialmente registrado na história das Forças Armadas brasileiras — com relatórios assinados, fotografias numeradas, laudos médicos e centenas de páginas hoje disponíveis ao público no Arquivo Nacional do Brasil. O que aquela operação encontrou nas margens do Rio Pará, entre setembro e dezembro de 1977, ainda desafia qualquer explicação convencional.
O Pânico que Tomou Conta de Colares
Para entender a dimensão do que aconteceu, é preciso imaginar Colares como ela era em 1977: uma pequena ilha de pescadores e agricultores no estado do Pará, distante das grandes cidades e sem acesso fácil a comunicações. A vida girava em torno dos rios, dos barcos e da floresta. Não havia motivo para desconfiar do céu.
Tudo mudou no segundo semestre daquele ano. Moradores começaram a relatar avistamentos noturnos de luzes coloridas — amarelas, vermelhas, azuladas — que percorriam o céu em silêncio absoluto, sem o ruído de motor de qualquer aeronave conhecida. Em muitos casos, as luzes desciam em direção às casas e projetavam feixes concentrados de radiação sobre as pessoas adormecidas.
Os efeitos físicos eram perturbadores e consistentes. As vítimas acordavam com queimaduras circulares na pele, especialmente em pescoço, braços e pernas. Relatavam sensação de calor intenso, tonturas, palidez extrema, fraqueza muscular que durava dias. Algumas descreviam a sensação de que algo estava sendo "sugado" de seus corpos. Foi por isso que o fenômeno ganhou o apelido que ficaria marcado na história da ufologia brasileira: chupa-chupa.
A Dra. Wellaide Cecim Carvalho, médica responsável pelo posto de saúde de Colares na época, atendeu mais de 80 pacientes com esses sintomas ao longo de poucas semanas. Em depoimentos posteriores, ela descreveu as lesões como queimaduras por radiação — um padrão que não correspondia a acidentes domésticos convencionais, como queimaduras por fogo ou choque elétrico. As marcas tinham bordas definidas, o que indicava exposição a uma fonte luminosa altamente concentrada.

A população entrou em estado de alerta. Homens armados com espingardas faziam vigílias noturnas em grupos, mantendo fogueiras acesas para não dormir. Mulheres e crianças eram mandadas para o interior das casas ao anoitecer. A prefeitura local, sem recursos para investigar, solicitou ajuda urgente às autoridades federais. A resposta veio da Força Aérea Brasileira.
A Resposta Militar: Nasce a Operação Prato
O I Comando Aéreo Regional (I COMAR), sediado em Belém, recebeu o pedido e tomou uma decisão que seria única na história das Forças Armadas brasileiras: investigar os avistamentos com rigor militar e instrumental científico.
Em setembro de 1977, uma equipe de militares altamente treinados desembarcou em Colares com equipamento de ponta para a época: câmeras fotográficas de alta velocidade, filmadoras Super-8 e Super-16, teodolitos para medição de ângulos e trajetórias, binóculos potentes, sensores de rádio e medidores eletromagnéticos. O nome dado à missão foi Operação Prato — uma referência direta à forma dos objetos que a população descrevia ver no céu.
O oficial encarregado de comandar a operação foi o então capitão Uyrangê Bolivar Soares Nogueira de Hollanda Lima, um homem de formação técnica rigorosa, habituado a trabalhar com dados e não com especulação. Hollanda montou acampamento discreto na ilha e organizou escalas de vigilância noturna, posicionando seus homens em pontos estratégicos com campos de visão abertos para o céu e para os rios.
A missão durou de setembro a dezembro de 1977 — quatro meses de vigilância contínua em uma das regiões mais remotas da Amazônia brasileira.
O que os Militares Registraram
O resultado foi desconcertante para qualquer análise racional convencional.
Ao longo da operação, a equipe de Hollanda registrou mais de 500 fotografias de anomalias luminosas. Acumularam aproximadamente 2.000 páginas de documentos com depoimentos de testemunhas, laudos médicos e relatórios operacionais. Gravaram 16 horas de filmagens em película Super-8 e Super-16, mostrando objetos luminosos em movimento no céu noturno da Amazônia.
Os croquis desenhados pelos próprios oficiais registravam formas que não correspondiam a aeronaves convencionais: estruturas fusiformes, piramidais e cilíndricas, com comportamento aerodinâmico impossível para qualquer tecnologia conhecida da época. Os registros descreviam objetos que realizavam paradas bruscas no ar, mudanças de direção em ângulos de 90 graus e acelerações instantâneas que não deixavam rastro de combustão.
Um dos episódios mais impactantes ocorreu quando um objeto luminoso cilíndrico de grandes proporções pairou por vários minutos a pouca altitude sobre o rio, próximo à embarcação em que estava a equipe de Hollanda. A luz projetada era tão intensa que iluminou completamente a margem do rio e as copas das árvores. Os militares presentes permaneceram em silêncio, acompanhando cada movimento com seus instrumentos.
Os laudos médicos das vítimas do chupa-chupa foram anexados aos relatórios. A Dra. Wellaide registrou queimaduras de primeiro grau com padrões de radiação que, segundo ela, lembravam os efeitos de exposição a raios infravermelhos ou laser de alta intensidade — tecnologia que, em 1977, estava longe do alcance civil e raramente fora de laboratórios militares altamente classificados.
A conclusão operacional dos relatórios assinados por Hollanda reconhecia a presença física de objetos de tecnologia e comportamento aerodinâmico desconhecidos. Os documentos evitavam qualificações sobre a origem dos fenômenos, mas os dados instrumentais não deixavam margem para explicações atmosféricas simples.
O Capitão Hollanda e o Silêncio que Durou 20 Anos
Após o encerramento da operação, em dezembro de 1977, o capitão Hollanda e sua equipe regressaram a Belém. Os relatórios foram encaminhados ao I COMAR e lá permaneceram por décadas, longe do alcance público, sob o sigilo burocrático característico da ditadura militar brasileira da época.
Hollanda nunca comentou publicamente o que viu em Colares — até 1997.
Vinte anos depois da operação, já reformado, Hollanda concedeu uma entrevista histórica aos ufólogos Ademar Gevaerd e Marco Petit, pesquisadores que dedicaram décadas ao estudo de casos ufológicos no Brasil. Naquela conversa, o ex-capitão quebrou um silêncio de duas décadas com declarações que sacudiram a comunidade ufológica nacional.
Hollanda descreveu avistamentos de naves de dimensões colossais — que ele chamou de "naves-mãe" — emergindo silenciosamente do fundo dos rios amazônicos e pairando sobre a floresta. Falou de objetos que demonstravam inteligência operacional clara, como se estivessem cientes da presença dos militares e respondessem às suas movimentações. Confirmou que os feixes de luz direcionados às pessoas eram reais, físicos, e que os efeitos nas vítimas eram documentáveis.
O que tornou o depoimento ainda mais perturbador foi o que aconteceu logo depois. Poucas semanas após conceder essa entrevista reveladora, Uyrangê Hollanda foi encontrado morto. A causa oficial foi suicídio. Para parte da comunidade ufológica brasileira, a coincidência entre a entrevista e a morte permanece como sombra sobre o caso. Para outros, trata-se de uma tragédia pessoal sem conexão com a operação. O que ninguém discute é que ele levou consigo conhecimentos que nunca foram completamente registrados em papel.
Os Documentos que Você Pode Acessar Hoje
Diferentemente de outros países que mantêm seus arquivos militares sobre OVNIs selados por décadas, o Brasil tomou uma decisão histórica e transparente: desclassificou e abriu ao público os documentos da Operação Prato.

O acervo está sob a guarda do Arquivo Nacional do Brasil, na coleção digital pública chamada Fundo OVNI, acessível pelo sistema SIAN (Sistema de Informações do Arquivo Nacional) com a classificação BR DFANBSB ARX. Qualquer pessoa com acesso à internet pode consultar os relatórios originais, os laudos médicos, os croquis desenhados pelos oficiais e parte das fotografias registradas durante a missão.
Trata-se do maior acervo documental público de ufologia militar das Américas. Enquanto os arquivos do Project Blue Book americano só foram liberados décadas depois e de forma parcial, os documentos brasileiros da Operação Prato estão disponíveis, fotografados e numerados, para qualquer pesquisador que queira verificar os fatos com suas próprias mãos.
Vale notar que parte do acervo — especialmente as filmagens originais em película — segue sendo objeto de controvérsia. Pesquisadores apontam que a quantidade de rolos físicos disponibilizados não corresponde às horas de gravação registradas nos relatórios operacionais. Se as películas restantes existem em algum arquivo ainda classificado, ninguém confirmou.
A Ilha de Colares Hoje e o Legado da Operação Prato
Colares carrega o peso daquele ano de 1977 de formas que vão além dos documentos militares. Moradores mais antigos ainda contam as histórias dos ataques do chupa-chupa a filhos e netos. A ilha tornou-se destino de pesquisadores e curiosos que chegam de todo o Brasil para ouvir os relatos de quem viveu aquelas noites de terror.
Em 2017, por ocasião dos 40 anos da Operação Prato, um evento de ufologia foi organizado no município, reunindo pesquisadores, descendentes de vítimas e ex-militares que participaram de investigações posteriores. O interesse não diminuiu — ao contrário, cresceu com a abertura digital do acervo do Arquivo Nacional.
O legado da Operação Prato é múltiplo e complexo. Por um lado, é a prova definitiva de que o fenômeno OVNI no Brasil não é produto de imaginação popular — foi investigado com rigor por militares treinados, com equipamentos profissionais, e os resultados foram suficientemente perturbadores para justificar relatórios extensos e décadas de silêncio oficial. Por outro, levanta perguntas que os documentos, por si sós, não respondem: de onde vieram aquelas luzes? Por que elas atacaram pessoas comuns em uma ilha remota da Amazônia?
O comportamento de emergir de rios e mergulhar de volta à água é um dos aspectos mais desconcertantes dos relatos de Colares — e faz parte de um padrão documentado globalmente que exploramos em detalhes em Fenômenos Transmédios: Objetos que mergulham na água e saem voando sem molhar a asa. Sobre as hipóteses científicas mais ousadas para explicar de onde esses objetos poderiam vir, o artigo Ultraterrestres: A vizinhança invisível que habita a realidade ao lado abre essa discussão com o rigor que o tema merece.
O que aconteceu em Colares em 1977 não foi o único episódio documentado de envolvimento direto das Forças Armadas brasileiras com o fenômeno OVNI. Mas foi, sem dúvida, o mais extenso, o mais bem registrado e o mais perturbador que nossa história militar já produziu. E o arquivo está aberto — esperando por quem quiser olhar.
Fontes
- Arquivo Nacional do Brasil — Fundo OVNI, sistema SIAN: sian.an.gov.br
- Revista UFO Brasil — "A Operação Prato foi mesmo encerrada": ufo.com.br
- Revista UFO Brasil — "Novos dados oficiais sobre a Operação Prato": ufo.com.br
- Portal Amazônia — "Área 51 do Pará? Os mistérios extraterrestres da Ilha de Colares": portalamazonia.com
- Wikipedia — "Operação Prato": wikipedia.org
- Aventuras na História — "Operação Prato: Podcast traz revelações": aventurasnahistoria.com.br
- Depoimento de Uyrangê Hollanda a Ademar Gevaerd e Marco Petit (1997), documentado pela Revista UFO Brasil
- Depoimento da Dra. Wellaide Cecim Carvalho, registrado em publicações da Revista UFO Brasil e no documentário Ilha dos Mutantes (2006)
